23 Outubro 2006

A cena ideal.

A morte rasteira esgueira-se entre o crepúsculo e a aurora nos confins de tudo. Camuflada e sorrateira ela toma seu lugar, assume sua impetuosidade nas formas mais diversas. No gotejar de uma marquise após a chuva que esfriou a tarde, num cigarro, num prato, num copo transbordando esperança e ódio, nas sombrias e convidativas tentações, no sorriso libidinoso e no pranto de dor. A noite é seu lugar. A noite é das trevas, não importa o vapor de mercúrio. A noite é dos mendigos, dos cães raivosos e imundos, dos bêbados, mal amados, das putas infelizes, dos descrentes e dos que ainda tem fé, dos desesperados, dos inquietos, do ódio, das sirenes, do silêncio auspicioso de uma rua deserta, A noite abriga a morte. A noite é para quem não teme morrer.

2 comentários:

Erika disse...

noite e morte, vida e dia, dia e morte, morte e noite, vida e noite, morte e dia...onde começa a morte e termina a vida? onde termina a vida e começa a noite? onde anoitece o dia e vive a morte? onde anoitece a morte e amanhece a vida? onde adormece a noite e vive o dia?

ana barbosa disse...

a morte nao seria uma maneira de dizer...bye otario(a).e ai? e agora?