31 Outubro 2006

Vaga imprecisão

Vaga imprecisão, abismo que a traga e revela-se finito, enganoso...sede, vontade, desejo, troça...

Tentativa frustrada de mascarar a verdade...ah, o prazer proporcionado pelo desistir de lutar e a vergonha que precede a desistência...

Necessidade de...nem sabe o que...picos de euforia...se ela se entregar essa loucura a devasta!

A insanidade a cerca sorrateira ciente daquela intensidade...não quer explicações...não tenta formular hipóteses como ela que, impotente, quando não se sente rendida passa horas a imaginar porquês...

Medo...medo...medo...dilemas...preocupações...fuga das frustrações...necessidade de provar que não precisa provar nada............desconhecimento do que julgava subjugado, completamente envolvida pelo que nem tomava conhecimento por julgar fraco!

Meus pêsames, minha amiga! Embora não deseje admitir você sabe o q sente!

Da Série: By Erika Matos.

A esquina, ou a gratificante opção da alienação...

A alguns passos apenas ele hesitava...repensava seus erros e ao mesmo tempo tentava vislumbrar o que haveria além daquele cruzamento comum...

Ao vagar sem rumo por um bairro dantes não visitado em sua cidade natal, algum tipo de medo com raízes obscuras o obsedava e paralisava, ou melhor, fazia com que cada passo seu fosse como câmera lenta de algum pesadelo repetitivo quando por vezes tentava fugir de um monstro qualquer que o perseguia na infância...

Chega das vazias e infindas viagens internas que nunca lhe trouxera nenhuma reposta consistente!-pragueja baixinho contra o retorno intruso de coisas das quais já desistira há tempos e retorna aborrecido ao seu dilema atual.

A esquina o fascinava e o repelia e o fascínio provinha justamente da repulsa: que asco pitoresco! -divertia-se sarcasticamente e ria de si mesmo.

Caminhava varrendo com o olhar os objetos que habitavam cada centímetro do chão sob os seus pés e estes pareciam fugir de suas pisadas como se atraídas por um imenso ímã magnético que protegia suas formas inanimadas daquela vida por se desmanchar a qualquer tempo, no curto caminho que o separava do cruzamento da nefasta encruzilhada...

Copos descartáveis, fragmentos em papel de uma embalagem qualquer, tocos de cigarros, banalidades que o assustavam a cada passo que mais o aproximava do instigante fim do quarteirão...distrai-se com uma idéia tola paradoxal que mais uma vez o faz troçar de si mesmo...pensa na raridade dos tocos de cigarro pelo chão, parece-lhe que os poucos fumantes que restaram são os cidadãos de consciência ecológica - e gargalha insosso até cessar o riso falso, como a tosse seca de um tísico.
Aproxima-se da esquina, ergue a fronte, estaca, nem pensa em mais nada, recua, dá meia volta sobre si mesmo e segue em frente reencontrando sua paz.

26 Outubro 2006

Da série: Aperta o repeat por favor.


Titãs

Você já tentou varrer a areia da praia?
Já ficou no escuro ouvindo o canto da cigarra?
Já ficou no espelho rindo sozinho da sua cara?
Já dormiu sem ninguém num canto de rodoviária?
Já dormiu com alguém por migalha?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Já perdeu a hora quando o tempo pára?
Já gritou uma palavra até perder a fala?
,Você já tentou varrer a areia da praia?
Já viu sumir a última estrela da madrugada?
Já ficou um dia, um mês, um ano sem fazer nada?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Jamais alguma coisa já quis alguma coisa já?
Já quis demais alguma coisa já? Já?
Já colocou todas as roupas do armário na mala?
A sua casa já desmoronou no meio da sala?
Você já tentou varrer a areia da praia?
Já quis demais alguma coisa já quis alguma coisa já?
Jamais quis alguma coisa já?
Já?

23 Outubro 2006

A cena ideal.

A morte rasteira esgueira-se entre o crepúsculo e a aurora nos confins de tudo. Camuflada e sorrateira ela toma seu lugar, assume sua impetuosidade nas formas mais diversas. No gotejar de uma marquise após a chuva que esfriou a tarde, num cigarro, num prato, num copo transbordando esperança e ódio, nas sombrias e convidativas tentações, no sorriso libidinoso e no pranto de dor. A noite é seu lugar. A noite é das trevas, não importa o vapor de mercúrio. A noite é dos mendigos, dos cães raivosos e imundos, dos bêbados, mal amados, das putas infelizes, dos descrentes e dos que ainda tem fé, dos desesperados, dos inquietos, do ódio, das sirenes, do silêncio auspicioso de uma rua deserta, A noite abriga a morte. A noite é para quem não teme morrer.

10 Outubro 2006

Para você Erika, meu amor.

Ciência Exata


O amor é ciência
Ciência exata, matemática.
Pois da soma de dois elementos
Pertencentes a Universos desiguais
Obtém-se um único algarismo
Pertencente ao conjunto irreal.
O amor extrapola toda a subtração
Divide abstrações e multiplica possibilidades também.
Tem como incógnita apenas o futuro...

Paliativo

Não foi no tempo que encontrei alívio para meu sofrimento.De alguma forma, sua pena ao me ver alimentava o profundo embora pequeno ódio que em paralelo a dor, giravam na espiral de sentimentos que há dentro de mim.O labirinto das minhas sensações tem diversas saídas e os caminhos não são tão difíceis, qualquer um pode encontrar a fuga.O ódio ou o louvor, o repudio ou o amor. Quer saber? O tempo para mim não cura nada. É pouco demais para o tamanho das feridas que você me causou.Um remédio ineficaz.Estanco o sangramento com a incandescência da ira. As cicatrizes ficam visíveis em minha descrença nas suas palavras, que outrora se faziam críveis naquela alegoria bem elaborada de olhares e gestos amáveis e que no final do carnaval viraram apenas lixo, um volumoso lixo brilhante e colorido.