11 Abril 2008

Cemitérios.


Flores morrem.

As de plástico não, mas perdem a cor e saem de moda.

Já não servem mais, quando velhas e desgastadas, para enfeitar salas e aposentos.

Água-viva

Água cai do céu à noite e molha tudo.

Interrompe planos traçados ainda pela manhã.

Tudo morre.

Nada vive.

A pedra quieta, parada. Indefesa contra o martelo que vem sem dó.

Estilhaços. Centenas de pedrinhas. Indefesas. Quietas.

Morta. Atirada contra o passado, ou réptil. Finalidade: Matar.

Janelas molhadas.

Escorrem água e poeira.

Cinzas e bagas. Limpar o cinzeiro.

Aranhas. Neurônios. Morrem.

Nada vive.

Tudo morre.

Morta.

A porta.

Reta.

A seta.

Corte

A sorte.

Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheira a cal fresca no dia de finados.

Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheiram as flores no dia de finados.

A noite no cemitério é só à noite no cemitério.

Meu travesseiro cheira a mofo.

Minha cama cheira a sono.

A feira tem pessoas e conversas.

A feira.

A freira cheira a perfume barato.

O terço não é inteiro.

O Calvário fedia a merda.

Joana D´arc morreu.

Hitler também.

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