Qual a próxima peripécia meu bom rapaz, tu vai aprontar?
Já escreveu seu nome nos confins do mundo.
Já mudou de nome.
Já teve seu cabelo cortado
Seu sapato lavado
Seu segredo revelado.
Nada te contenta alma inquieta?
Nem mesmo a derrota certa.
Comum àqueles que teimam em não ser,
Tentando ser o que não é?
Quantas faces tem seu medo?
Quantas facas?
Quantos dedos?
Quantas faces tem seu dado.
Tem dado certo esse modo errado?
Adora a novidade
Muda a todo instante
Mixórdia de interesses
A cada amor uma nova túnica
A cada desamor uma nova mágoa
Veste-se com a feição do vencedor
Está sempre a um passo atrás.
Um degrau a menos.
Nem assim aprende
Nem na derrota?
Cativas, mas teu abraço fere.
Não aprende?
Não se rende?
Diante dos fatos
Diante dos atos
Insiste em ser aquilo que odeia?
Sufoca.
Absorve
Prende.
Mata.
Sua motivação
Motivo
Ação
É inversa
Ação para um motivo!
Vai cair daí menino!
Vai se machucar.
E chorar a noite inteira.
Com medo dormir.
Por medo de acordar.
E ver que no limiar do novo dia
A dor que a queda causa
Só passa quando não mais lembramos dela.
“...E no rasgar da boca. Nos deram canos, correntes e canivetes.
E no esgoto a procura era incorreta...”*
* Trecho da música Canos, correntes e canivetes.
Anderson Martins e Aborígenes.
1 comentários:
Muito bom, vc tem talento
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