11 Abril 2008

O pano.

Um voil de retalhos de sentimentos e sensações a esconder a janela entreaberta do meu quarto escuro.
Dentro dele, mofo e desejo, medo e delírio, sangue e suor, sêmen e poeira. Paredes brancas como a neve, teias de aranha, grilos, os insetos e ou outros, que guardam-se embaixo da cama vazia e fria.

Mais que um espaço ocupado e bem dimensionado em metros quadrados, poucos metros quadrados, meu quarto é meu sepulcro.

É onde sepulto cada dia.

É também meu jardim de infância. Onde aprendo a manusear, a reconhecer o tato, o paladar.

Meu divã, do consultório do “doutor Travesseiro” que me ouve em silêncio. E me assiste no escuro quando sonho.

Mas voltemos aos retalhos.

Esses que em conjunto, cingidos com a forte linha do descaso, eles formam um longo cortinado. Não diferem em cor. Nem tamanho. Logo, parece uma peça só.

Quem dera fossem feitos de “fuxicos”, seria diferente. Mas são lisos, límpidos.

Cada pedacinho é real. A fúria é real. A dor também.

1 comentários:

Aline L. disse...

Queria muito continuar esse texto, mas não sou tão boa assim!

Cada dia, cada vez mais sua e fã.


;*