Esse diálogo foi extraido dos escritos de Putão. Talvez o filósofo mais safado que a Terra já conheceu.
Narra a falácia de um mestre e a oitiva do seu jovem pupilo.
Segue:
Supunhetemos meu caro ignóbil, que estejam seis homens a copular simultaneamente com uma única mulher que existe na única casa de prostituição de uma única cidade no mundo.E que façam isso desde que a puberdade bateu à porta. E que mais ainda, eles não almejem nada além disso, afora suas necessidades fisiológicas e laborais durante toda a vida.
-Supunhetado mestre.
E que essa mesma mulher meu caro capacho, esteja com suas varizes estouradas e sua pele coberta por pústulas e seus olhos cor amarelo-icterícia estejam remelando infinitamente e que sua vulva purulenta esguiche a cada estocada o líquido podre da infecção e que seus dentes, ou o que sobrou deles, emanem um vapor tão fétido quanto um curtume da idade média e que seus cabelos sebosos e suados estejam infestados de piolhos e pulgas e que...
-Vomitando mestre!
Então, fresco pela-saco. Imagine se um desses homens, após retirar-se satisfeito da orgia, fosse até a janela do quarto fumar um cigarro post-coito e de lá avistasse a coisa mais bela que seus olhos já viram. E olhando para o cigarro depois de esfregar bem os olhos ele fizesse uma cara de “ Que barato estranho!” e perguntasse: “-quem foi que colocou maconha no meu Hollywood?”.
- HAHAHAHA, mestre o senhor é hilário!
Cale-se idiota!
-Calado mestre!
E depois disso ele percebesse quando seus olhos voltassem à normalidade que era a figura de uma mulher. Não uma mulher qualquer, mas a mulher mais bela do mundo.Por certo ele ficaria confuso correto?
-Sim mestre, confuso como eu. Como ela apareceu mestre? Nasceu lá? Chegou de carruagem? Materializou-se? Metamorfose? Contatos imediatos do terceiro grau...
Devo avisar que mais uma interrupção e eu vou surrá-lo até não poder mais.
-Sim mestre. Continue.
Daquele mundo onde só havia uma mulher antes da sua majestosa aparição e que de tão bela, de tão infinitamente diferente da desgraça, digo, da outra fêmea, ele acreditasse que era um anjo e decidisse abandonar de vez aquela vida insalubre de ter com a imundice do prostíbulo e fosse amarrar-se com ela num elo matrimonial.
-Casamento mestre?
Sim, casar-se com o anjo! Era essa sua decisão que alegrava a puta e os outros cinco membros - sem trocadilhos- do puteiro da cidade, tendo em vista a maior facilidade de realizar as orgias com uma “densidade demográfica” menor.
Abandonar as chupadas quentes daquela boca em decomposição, abandonar o mundo dos fungos, micróbios, ratos e baratas e viver num vasto pomar de romãs e maçãs e... Você, caro lambe-botas, conhece alguma outra fruta que termine em “ã”.
-Noz Pecã!
Isso não é fruta seu imbecil
-Sim Mestre. Não é fruta!
Por fim. Ele viveria em paz a caminhar ao longo do resto da sua vida com um ser tão belo e casto.
-O paraíso, mestre. Por certo o paraíso!
Sim, paquiderme sonhador. O Éden plausível. Uma linda mulher para te resgatar da ímpia vida do bordel.
Mas supunhetemos meu caro aprendiz de baba-ovo, que essa mulher tivesse dentro de si algo tão terrivelmente grande quanto sua beleza física.
-O que mestre? Fale-me!
A certeza de suas qualidades.
-Não entendo mestre!
Não era para menos, mas vamos lá.
Imagine que essa mulher soubesse definitivamente que possuía toda a beleza do mundo, daquele mundo de um prostíbulo com uma puta velha e doente e 6 homens ávidos por sexo.
-Mas eles poderiam ter entre si mestre!
Sem baitolagem na minha hipótese, seu viadinho! E não me interrompa ou arranco-lhe um dos olhos, com essa vareta.
-Certo mestre.
Imagine que ela tem a convicção de que pode usar de chantagem para conseguir o que quisesse e que por conta disso, a vida do seu marido fosse um inferno embora, as noites de luxúria fossem das melhores.
-Supunhetando mestre!
Realize a cena daquele corpo escultural em todas as posições sexuais possíveis. Imagine sua pele macia sendo violentamente esfregada contra a grama e sua voz angelical a dizer os mais variados palavrões na hora do orgasmo. Imagine uma deusa ninfomaníaca que não dava descanso algum ao seu parceiro.
Ele realmente não conseguiria acreditar que aquilo fosse real. Nem mais pensava na velha puta e seus companheiros de sacanagem. Vivia a fazer as vontades da moça de dia e de noite. “Pegue isso, chupe aqui, traga aquilo, meta aqui, carregue-me nas costas, coma meu cu, traga-me água, goze na minha cara”
-Quase gozando mestre!
Eu não posso acreditar que você esta se masturbando enquanto eu filosofo.
-Desculpe-me mestre!
Lembre-me de avisar ao carrasco sobre uma possível castração no fim do dia!
-Lembrarei meu senhor.
Dando seguimento... Meu deus ponha isso para dentro seu imundo!
-Sim mestre!
Por certo que tal graça alcançada pusesse sua mente em completo pandemônio. Ele, acostumado a pouca garbosidade encontrava-se em perfeita situação. Sentia-se um Deus perante os seus cinco antigos parceiros de algazarra sexual, sentiu nojo das noites com a velha prostituta e suas feridas e doenças, porém havia nele a vontade de contar a todos- o que não nos espanta- que estava a “comer” a mais bela coisa que aquele mundo já viu.
-Sim mestre. Prossiga!
Não seria de fato estranho se seus amigos não te dessem crédito. Eles que não fumavam, jamais olhariam pela janela. Nunca tiveram a sorte de ver nada além de furúnculos e flacidez. Jamais poderiam acreditar em uma pele perolada. Não lhes cabiam a idéia de uma vagina sã, sem pus. Por certo o tachariam de louco, no mínimo.
-Ah sim mestre. Louco.
Sim. De fato ele ficaria ainda mais confuso. Teria em sua certeza a veracidade dos fatos e em seus ouvidos a descrença dos outros. Até mesmo a velha puta não te aceitaria mais na cama por medo de que ele cometesse alguma insanidade. Pensaria em inveja, desdém, despeito e toda a sorte de sentimentos ruins que seus companheiros de esbornia poderiam ter ao ouvir de sua boca as maravilhas que sua esposa lhe proporcionava.
Responda-me, ele agiria certo em permanecer ali, sem contar a ninguém? Deixar seus amigos na escuridão do prostíbulo?
-Não sei mestre...
Não sabe?Isso lá é resposta seu idiota?
-Eu não contaria. Deixaria eles ali, na merda. Afinal eles não acreditariam meu senhor. Me chamariam de louco e ririam da minha cara.
Essa é a questão. Mas me diga, resistiria à tentação de propagar aos quatro cantos do mundo que possui a mais bela das mulheres?
-Acho que não?
E como resolveria isso?O que é mais forte. A aceitação das suas verdades ou o bom convívio entre os seus?
-Acho que um dia eu cansaria daquela gostosa. Sabe mestre. Quando deixar de ser novidade. No fim de tudo, eu voltaria ao puteiro.
Mas com qual finalidade ele voltaria para lá?
-Não sei mestre. Mas penso que estar entre os seus é melhor que ser bom sozinho.
E a que conclusão nós chegamos?
-Que talvez sejamos todos como o personagem mestre. Que possivelmente preferimos comer da putrefeita puta pelo resto das nossas vidas a admitir que aquilo que vemos pela janela possa ser nossa salvação desse calvário!
Está errado seu idiota!
-Não entendo mestre.
A verdade é que eu falei e você concordou. Logo, chegamos à conclusão de que você é mentalmente incapaz e que eu sou a sua Luz. Portanto, irá me seguir como um cão até os últimos dias de sua vida.
-Ou da sua, mestre.Esquece que és velho?
Não levante a mão ao contra seu mest.....
Texto livremente inspirado( ahh Leonor) na obra de Platão.