24 Abril 2008

Putão e o Mito da Cavernosa.

Esse diálogo foi extraido dos escritos de Putão. Talvez o filósofo mais safado que a Terra já conheceu.


Narra a falácia de um mestre e a oitiva do seu jovem pupilo.

Segue:


Supunhetemos meu caro ignóbil, que estejam seis homens a copular simultaneamente com uma única mulher que existe na única casa de prostituição de uma única cidade no mundo.E que façam isso desde que a puberdade bateu à porta. E que mais ainda, eles não almejem nada além disso, afora suas necessidades fisiológicas e laborais durante toda a vida.

-Supunhetado mestre.

E que essa mesma mulher meu caro capacho, esteja com suas varizes estouradas e sua pele coberta por pústulas e seus olhos cor amarelo-icterícia estejam remelando infinitamente e que sua vulva purulenta esguiche a cada estocada o líquido podre da infecção e que seus dentes, ou o que sobrou deles, emanem um vapor tão fétido quanto um curtume da idade média e que seus cabelos sebosos e suados estejam infestados de piolhos e pulgas e que...

-Vomitando mestre!

Então, fresco pela-saco. Imagine se um desses homens, após retirar-se satisfeito da orgia, fosse até a janela do quarto fumar um cigarro post-coito e de lá avistasse a coisa mais bela que seus olhos já viram. E olhando para o cigarro depois de esfregar bem os olhos ele fizesse uma cara de “ Que barato estranho!” e perguntasse: “-quem foi que colocou maconha no meu Hollywood?”.

- HAHAHAHA, mestre o senhor é hilário!

Cale-se idiota!

-Calado mestre!

E depois disso ele percebesse quando seus olhos voltassem à normalidade que era a figura de uma mulher. Não uma mulher qualquer, mas a mulher mais bela do mundo.Por certo ele ficaria confuso correto?

-Sim mestre, confuso como eu. Como ela apareceu mestre? Nasceu lá? Chegou de carruagem? Materializou-se? Metamorfose? Contatos imediatos do terceiro grau...

Devo avisar que mais uma interrupção e eu vou surrá-lo até não poder mais.

-Sim mestre. Continue.

Daquele mundo onde só havia uma mulher antes da sua majestosa aparição e que de tão bela, de tão infinitamente diferente da desgraça, digo, da outra fêmea, ele acreditasse que era um anjo e decidisse abandonar de vez aquela vida insalubre de ter com a imundice do prostíbulo e fosse amarrar-se com ela num elo matrimonial.

-Casamento mestre?

Sim, casar-se com o anjo! Era essa sua decisão que alegrava a puta e os outros cinco membros - sem trocadilhos- do puteiro da cidade, tendo em vista a maior facilidade de realizar as orgias com uma “densidade demográfica” menor.

Abandonar as chupadas quentes daquela boca em decomposição, abandonar o mundo dos fungos, micróbios, ratos e baratas e viver num vasto pomar de romãs e maçãs e... Você, caro lambe-botas, conhece alguma outra fruta que termine em “ã”.

-Noz Pecã!

Isso não é fruta seu imbecil

-Sim Mestre. Não é fruta!

Por fim. Ele viveria em paz a caminhar ao longo do resto da sua vida com um ser tão belo e casto.

-O paraíso, mestre. Por certo o paraíso!

Sim, paquiderme sonhador. O Éden plausível. Uma linda mulher para te resgatar da ímpia vida do bordel.

Mas supunhetemos meu caro aprendiz de baba-ovo, que essa mulher tivesse dentro de si algo tão terrivelmente grande quanto sua beleza física.

-O que mestre? Fale-me!

A certeza de suas qualidades.

-Não entendo mestre!

Não era para menos, mas vamos lá.

Imagine que essa mulher soubesse definitivamente que possuía toda a beleza do mundo, daquele mundo de um prostíbulo com uma puta velha e doente e 6 homens ávidos por sexo.

-Mas eles poderiam ter entre si mestre!

Sem baitolagem na minha hipótese, seu viadinho! E não me interrompa ou arranco-lhe um dos olhos, com essa vareta.

-Certo mestre.

Imagine que ela tem a convicção de que pode usar de chantagem para conseguir o que quisesse e que por conta disso, a vida do seu marido fosse um inferno embora, as noites de luxúria fossem das melhores.

-Supunhetando mestre!

Realize a cena daquele corpo escultural em todas as posições sexuais possíveis. Imagine sua pele macia sendo violentamente esfregada contra a grama e sua voz angelical a dizer os mais variados palavrões na hora do orgasmo. Imagine uma deusa ninfomaníaca que não dava descanso algum ao seu parceiro.

Ele realmente não conseguiria acreditar que aquilo fosse real. Nem mais pensava na velha puta e seus companheiros de sacanagem. Vivia a fazer as vontades da moça de dia e de noite. “Pegue isso, chupe aqui, traga aquilo, meta aqui, carregue-me nas costas, coma meu cu, traga-me água, goze na minha cara”

-Quase gozando mestre!

Eu não posso acreditar que você esta se masturbando enquanto eu filosofo.

-Desculpe-me mestre!

Lembre-me de avisar ao carrasco sobre uma possível castração no fim do dia!

-Lembrarei meu senhor.

Dando seguimento... Meu deus ponha isso para dentro seu imundo!

-Sim mestre!

Por certo que tal graça alcançada pusesse sua mente em completo pandemônio. Ele, acostumado a pouca garbosidade encontrava-se em perfeita situação. Sentia-se um Deus perante os seus cinco antigos parceiros de algazarra sexual, sentiu nojo das noites com a velha prostituta e suas feridas e doenças, porém havia nele a vontade de contar a todos- o que não nos espanta- que estava a “comer” a mais bela coisa que aquele mundo já viu.

-Sim mestre. Prossiga!

Não seria de fato estranho se seus amigos não te dessem crédito. Eles que não fumavam, jamais olhariam pela janela. Nunca tiveram a sorte de ver nada além de furúnculos e flacidez. Jamais poderiam acreditar em uma pele perolada. Não lhes cabiam a idéia de uma vagina sã, sem pus. Por certo o tachariam de louco, no mínimo.

-Ah sim mestre. Louco.

Sim. De fato ele ficaria ainda mais confuso. Teria em sua certeza a veracidade dos fatos e em seus ouvidos a descrença dos outros. Até mesmo a velha puta não te aceitaria mais na cama por medo de que ele cometesse alguma insanidade. Pensaria em inveja, desdém, despeito e toda a sorte de sentimentos ruins que seus companheiros de esbornia poderiam ter ao ouvir de sua boca as maravilhas que sua esposa lhe proporcionava.

Responda-me, ele agiria certo em permanecer ali, sem contar a ninguém? Deixar seus amigos na escuridão do prostíbulo?

-Não sei mestre...

Não sabe?Isso lá é resposta seu idiota?

-Eu não contaria. Deixaria eles ali, na merda. Afinal eles não acreditariam meu senhor. Me chamariam de louco e ririam da minha cara.

Essa é a questão. Mas me diga, resistiria à tentação de propagar aos quatro cantos do mundo que possui a mais bela das mulheres?

-Acho que não?

E como resolveria isso?O que é mais forte. A aceitação das suas verdades ou o bom convívio entre os seus?

-Acho que um dia eu cansaria daquela gostosa. Sabe mestre. Quando deixar de ser novidade. No fim de tudo, eu voltaria ao puteiro.

Mas com qual finalidade ele voltaria para lá?

-Não sei mestre. Mas penso que estar entre os seus é melhor que ser bom sozinho.

E a que conclusão nós chegamos?

-Que talvez sejamos todos como o personagem mestre. Que possivelmente preferimos comer da putrefeita puta pelo resto das nossas vidas a admitir que aquilo que vemos pela janela possa ser nossa salvação desse calvário!

Está errado seu idiota!

-Não entendo mestre.

A verdade é que eu falei e você concordou. Logo, chegamos à conclusão de que você é mentalmente incapaz e que eu sou a sua Luz. Portanto, irá me seguir como um cão até os últimos dias de sua vida.

-Ou da sua, mestre.Esquece que és velho?

Não levante a mão ao contra seu mest.....







Texto livremente inspirado( ahh Leonor) na obra de Platão.

22 Abril 2008

A pressa da fome.

E depois da planilha terminada
O relógio marca o tempo
O sino dita a fome.
Blem Blem Blem...

Meio dia.
A fome dos restaurantes
O apetite.

Blem Blem Blem...
Beatas se benzem
Famintos deglutem
Apressados correm.

Meio dia.
A fome dos transeuntes
O apetite.

Minha fome.
Frente ao prato um relato.
Do resumo da metade do meu dia.

Blem Blem Blem.
O sino marca a sina.
De comer com pressa
Para ver a peça.
Se repetir todo dia.

18 Abril 2008

NONAME

Eram 11:35 da manhã e ela estava tomando seu banho para aprontar-se para a escola.

Era rotineiro, mas em alguns casos esse banho se transformava numa grande aventura.

É que quando sua mãe não estava em casa, seu irmão mais velho, três anos mais velho pra ser mais preciso, por vezes espiava pela fresta da porta velha que fechava o banheiro.

Ela sentia sua presença e não mostrava surpresa.

Desde a primeira vez que isso aconteceu, ela gostou. Não sentiu raiva por ter sua privacidade invadida. Não sentiu nojo do irmão, tão pouco desejo por ele. Mas sentiu um calor subir as faces e um frio no baixo ventre depois do susto inicial e permitiu que isso acontecesse.

Gostou de saber que alguém, mesmo que esse fosse seu irmão, desejava seu corpo.

Nunca se achou muito bonita, mesmo aos 12 anos, época em que o corpo sofre as mudanças e a rejeição do menino mais bonito da turma, aquele por quem ela era apaixonada, fazia com que ela se achasse cada vez mais feia.

Mas o fato do irmão a observar dava-lhe uma sensação de poder. Fosse quem fosse ali, ela acreditava que seria a mesma coisa. Era seu irmão. E daí?

Depois disso, passou a fazer dessas coisas com os meninos mais velhos da escola. Deixava suas pernas abertas num desleixo proposital a ponto de mostrar suas calcinhas quando eles passavam. Gostava de ver o ar de vergonha nas suas caras.

Eles olhavam e quando ela percebia isso, olhava casualmente para eles que logo viravam o rosto disfarçando o interesse.

Seu irmão também fora vítima dessas traquinagens. Não só as calcinhas à mostra, mas também o busto em blusas ou camisolas bem folgadas.

Ele prostrava-se frente à porta, e curvado observava ela despir-se e ir para baixo do chuveiro.

Ela ficava de costas para a porta, lavando o cabelo e fazia alguns movimentos curvando o corpo esguio para lavar as coxas e canelas.

Volta e meia virava de lado para que ele pudesse ver seus seios quase inexistentes e o pentelhos ralos que lhe cobriam a angelical vagina. Mas nunca ficava de frente.

Ele até tentava disfarçar, mas sua respiração ficava ofegante e ela sabia o que se passava do outro lado da porta. Dava umas esfregadas entre as coxas, fingindo lavar-se, mas era por provocação. Nunca olhava em direção a porta para não afugentá-lo.

Gostava de saber que ele estava ali como um animal irracional e que depois de gozar, como sempre, se trancaria no quarto e ficaria o resto do dia sem falar com ela por culpa ou medo.

Ela não. Ao sentir que ele saia, começava a esfregar cada vez mais rápido a mão ensaboada entre as pernas e pressionava os dedos na pequena vulva até sentir suas pernas tremerem e uma leve vertigem lhe tirar o equilíbrio.

Saia do banho e vestia a roupa, comia o almoço que sua mãe deixava pronto, tomava o ônibus e ia para a escola sofrer com a rejeição do gatinho da turma.

11 Abril 2008

O pano.

Um voil de retalhos de sentimentos e sensações a esconder a janela entreaberta do meu quarto escuro.
Dentro dele, mofo e desejo, medo e delírio, sangue e suor, sêmen e poeira. Paredes brancas como a neve, teias de aranha, grilos, os insetos e ou outros, que guardam-se embaixo da cama vazia e fria.

Mais que um espaço ocupado e bem dimensionado em metros quadrados, poucos metros quadrados, meu quarto é meu sepulcro.

É onde sepulto cada dia.

É também meu jardim de infância. Onde aprendo a manusear, a reconhecer o tato, o paladar.

Meu divã, do consultório do “doutor Travesseiro” que me ouve em silêncio. E me assiste no escuro quando sonho.

Mas voltemos aos retalhos.

Esses que em conjunto, cingidos com a forte linha do descaso, eles formam um longo cortinado. Não diferem em cor. Nem tamanho. Logo, parece uma peça só.

Quem dera fossem feitos de “fuxicos”, seria diferente. Mas são lisos, límpidos.

Cada pedacinho é real. A fúria é real. A dor também.

Mother, I Did a Bad Bad Thing!

Ele veio do fundo do quintal. Seu rosto estava coberto por uma camada espessa de areia e sangue.

Uma faca presa à cintura com o cabo à mostra, sujo com a mesma mistura. Uma pá quase do seu tamanho.

Trazia em sua face um ar de satisfação, como o de um pintor após concluir um quadro que lhe garantiria reconhecimento mundial. A certeza de que estava acabado lhe dava direito a sorrir.

Unhas das mãos repletas de sujeira. Suor pelas têmporas.

Atrás dele, não tão longe, via-se um monte de areia revirada, manchas de sangue.

Dentro do buraco, seu pai. Morto a facadas e ira. Mais ira que facadas. Vinte e cinco ao total. Entre o pescoço e a púbis. Sepultado como um cão sarnento.

Sua mãe olhava assustada e aliviada.

Nove anos e tanta vivacidade. Era realmente assustador.

Cemitérios.


Flores morrem.

As de plástico não, mas perdem a cor e saem de moda.

Já não servem mais, quando velhas e desgastadas, para enfeitar salas e aposentos.

Água-viva

Água cai do céu à noite e molha tudo.

Interrompe planos traçados ainda pela manhã.

Tudo morre.

Nada vive.

A pedra quieta, parada. Indefesa contra o martelo que vem sem dó.

Estilhaços. Centenas de pedrinhas. Indefesas. Quietas.

Morta. Atirada contra o passado, ou réptil. Finalidade: Matar.

Janelas molhadas.

Escorrem água e poeira.

Cinzas e bagas. Limpar o cinzeiro.

Aranhas. Neurônios. Morrem.

Nada vive.

Tudo morre.

Morta.

A porta.

Reta.

A seta.

Corte

A sorte.

Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheira a cal fresca no dia de finados.

Nos cemitérios existem lápides. Existem covas. Cheiram as flores no dia de finados.

A noite no cemitério é só à noite no cemitério.

Meu travesseiro cheira a mofo.

Minha cama cheira a sono.

A feira tem pessoas e conversas.

A feira.

A freira cheira a perfume barato.

O terço não é inteiro.

O Calvário fedia a merda.

Joana D´arc morreu.

Hitler também.

09 Abril 2008

A literatura forma o caráter.

-Filho, posso entra?

-Entra mais não acende a luz!

-Meu filho, faz três dias que você está nesse quarto. O que está havendo?

-Nada! Tou me ambientando!

-Cadê a Patrícia?

-Aquela piranha me trocou por um litro de Vodka!

-Meu deus. Ela era tão legal!

-Legal? Era uma safada, isso sim!

-Mas você gostava dela!

-é! Ela tinha uma bunda enorme!

-Filho!

-Que é? Ela era gostosa mesmo. Pergunta pro papai!

-Bom, vocês terminaram. Mas não é o fim do mundo!

-Eu sei.

-Então levanta daí e vai tomar um banho.

-Você está realmente preocupada comigo?

-Sim filho.

-Que horas são?

-7:20 da noite!

-Então me arruma uma grana para três litros de vodka. Fico com um e vejo se reconquisto ela de novo com os outros dois.

-Meu filho.

-Vai me dar a grana?

-Vou. Vai sair mesmo?

-Vou.

...

-E ele?

-Ele mandou te perguntar se ela era realmente gostosa?

-Bom... Eu disse a ele uma vez...

-Cale a boca seu escroto!

-Tá bom.Mas ele vai sair é?

-É. Arruma uma grana para ele!

-Tá. Mas para que?

-Vodka e cigarros!

-Mas esse menino está bebendo muito não acha?

-A culpa é sua!

-Minha?

-É! Eu disse Shakespeare e você me trouxe Bukowski no aniversário, lembra?

08 Abril 2008

Da série: Eu sei o que você será no verão futuro se não mudar de rumo!

Qual a próxima peripécia meu bom rapaz, tu vai aprontar?

Já escreveu seu nome nos confins do mundo.

Já mudou de nome.

Já teve seu cabelo cortado

Seu sapato lavado

Seu segredo revelado.

Nada te contenta alma inquieta?

Nem mesmo a derrota certa.

Comum àqueles que teimam em não ser,

Tentando ser o que não é?

Quantas faces tem seu medo?

Quantas facas?

Quantos dedos?

Quantas faces tem seu dado.

Tem dado certo esse modo errado?

Adora a novidade

Muda a todo instante

Mixórdia de interesses

A cada amor uma nova túnica

A cada desamor uma nova mágoa

Veste-se com a feição do vencedor

Está sempre a um passo atrás.

Um degrau a menos.

Nem assim aprende

Nem na derrota?

Cativas, mas teu abraço fere.

Não aprende?

Não se rende?

Diante dos fatos

Diante dos atos

Insiste em ser aquilo que odeia?

Sufoca.

Absorve

Prende.

Mata.

Sua motivação

Motivo

Ação

É inversa

Ação para um motivo!

Vai cair daí menino!

Vai se machucar.

E chorar a noite inteira.

Com medo dormir.

Por medo de acordar.

E ver que no limiar do novo dia

A dor que a queda causa

Só passa quando não mais lembramos dela.

“...E no rasgar da boca. Nos deram canos, correntes e canivetes.

E no esgoto a procura era incorreta...”*

* Trecho da música Canos, correntes e canivetes.

Anderson Martins e Aborígenes.

04 Abril 2008

Da série: Jabá!

Poesia Nordestina.
Do Irmão Davi.


I

Nenhuma poesia vale um calo de mão flamejante

Nem a estrela de Camões brilha mais que o olhar funesto de Maria

Nem mesmo a ópera mais triste soa tão densa quanto o estalar da enxada na pedra quente e fria

Nem mesmo o sol clareia como o lúgubre lampião de Tião

Nem mesmo um império reza mais que aquela triste canção

Que clama por Deus sem saber que é oração

Nem mesmo Deus sabe que esse povo existe!

E esse povo persiste, resiste, insiste em viver...

II

Tião passa meses à caça e quando, por vezes, Maria espreita à porta e ver chegar Tião Cambota

Logo se lhe desdobra a franzida testa

Ao ver entre os dedos de Tião a caça que lhe adia a morte mais um dia

Maria com força se porta

Pega-lhe a caça nas patas

Corre à cozinha em silêncio

Corta, corta, corta...

Luz, sol, é dia...

Tião sem falar corre à mesa e senta

Maria lhe entende o silêncio

Corre à mesa e bota

A caça é feia e fede...

Lá vai Tião mais um dia

Três semanas se passam

Agora a morte espreita Maria

Dois dias depois bate a porta

Tião sem nada, pejado...

Os olhos a saltarem molhados

Maria há dois dias jazia

Abutres o seu corpo comia

Tião com a mão os assusta

Chora sobre o corpo morto de Maria

Corre o olhar nas tetas comidas

Pega-lhe o corpo e debruça

Deita o rosto em suas costas

Esbarra a boca na orelha fria

O cheiro de sangue o excita

Tião de súbito levanta

Sente a boca ficar úmida

Cai e come o corpo de Maria.


03 Abril 2008

Não sei bem o motivo, ou talvez saiba. Mas estou cantarolando essa música há alguns dias!

Corpo em Chamas

Ave Sangria


Quando eu botar fogo na roupa
Você vai se arrepender
De tudo o que me fez
Voce vai ver meu corpo em chamas
Pelas ruas... Ho, yeah

E o povo todo horrorizado
Iluminado pelo meu fulgor mortal
Eu vou dançar
Girando o corpo incendiado
Até cair no chão

yeh yehyeh yehyeh yeh

O grito agudo da sirene
Dos bombeiros
Alertando a multidão
Alguém falando que era um louco
No céu negro, a lua cheia a brilhar

Segure a mão de uma criança
Amão gelada
E a mãe gitando: "Não e não!"
E eu tão feliz
Guirando colorido
Sob as chamas do luar

yeh yeh yeh yehyeh yeh

Quando eu gritar não se arrepie
Lembre apenas
Das contrárias que me fez
Saia correndo e mergulha
Assim vesticda
Lá no mar... ho, yeah

Mas não vai ter mar que me salve
Da alegria deste salto
Em fogo e luz
Olhe pra mim
Essa é a peça de teatro
Mais bonita que eu já fiz

yeh yeh yeh yeh yeh yeh

Depois a noite há de descer gelada
Sobre os corações
De quem souber
E alguém dirá que foi
O primeiro a ver... oh, yeah

A presença selvagem
De um clarão vermelho
Rodopiando pelo chão
Esse sou eu
Dorido, dolorido
Colorido e sem razão
Ou não...